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Fim da escala 6x1: o que a empresa precisa fazer nos próximos meses

A EC 141/2026 reduz a jornada em duas etapas. Veja o que muda, quando começa a valer e por onde começar a revisão na empresa.

17 out 2026 · 2 min de leitura · Trabalhista

O fim da escala 6x1 deixou de ser projeto. A Emenda Constitucional 141/2026 foi promulgada em 16 de outubro de 2026 e reduz a jornada de trabalho em duas etapas, sem redução de salário. Para a empresa, a pergunta agora é prática: o que precisa ser revisto, e em que ordem.

O que muda e quando

  • 60 dias após a publicação da emenda (meados de dezembro de 2026): escala máxima 5x2 e jornada de até 42 horas semanais.
  • 12 meses depois: jornada de até 40 horas semanais.
  • Dois dias de descanso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.
  • Até 8 horas por dia, sem redução de salário.
  • Regimes diferentes da 5x2 passam pela negociação coletiva, e alguns setores ainda dependem de regulamentação.

Como a primeira etapa coincide com as escalas de fim de ano, comércio, serviços e operações contínuas sentem o efeito primeiro.

1. Mapeie a jornada real

Jornada não é só o horário que está no contrato. Ela tem quatro camadas: o contrato, a norma coletiva da categoria, o registro de ponto e a rotina de verdade, incluindo mensagens fora do horário e reuniões antes do expediente. Quando as quatro contam a mesma história, a empresa tem coerência. Quando não contam, aparece a divergência que costuma estar no centro das reclamações trabalhistas.

2. Faça a conta

De 44 para 42 horas são duas horas a menos por pessoa, toda semana. Reorganizar a escala, contratar ou pagar hora extra têm custos diferentes. O valor da hora também muda: o mesmo salário dividido por menos horas altera o cálculo de horas extras e encargos.

3. Redesenhe a escala

A referência passa a ser a 5x2, com duas folgas por semana. Quem trabalha aos domingos precisa de revezamento organizado: "preferencialmente" não quer dizer "sempre", mas exige planejamento.

4. Revise o banco de horas

Banco de horas em planilha não é banco de horas organizado. Antes da mudança, vale responder cinco perguntas:

  • Qual instrumento autoriza o banco: acordo individual, acordo coletivo ou convenção?
  • Qual é o prazo para compensar as horas?
  • O controle de ponto bate com a planilha?
  • O empregado acompanha o próprio saldo?
  • Como fica o saldo no desligamento?

5. Converse com o sindicato e formalize

Regime diferente da 5x2 depende de acordo ou convenção coletiva, e negociação leva tempo. Depois, formalize: escalas, controle de ponto e documentos atualizados com a equipe. Contratos com clientes calculados em horas também podem precisar de ajuste.

6. Planeje já as 40 horas

Daqui a um ano a jornada cai de novo. Montar a escala só para as 42 horas significa refazer tudo em pouco tempo. O ponto de partida é simples: quantas pessoas na sua empresa trabalham hoje acima de 40 horas por semana?

Cada empresa tem categoria, norma coletiva e rotina próprias. A revisão deve partir da análise do caso concreto.

Conteúdo de caráter exclusivamente informativo. Não constitui consulta ou parecer jurídico.

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